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POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - I Caderno: Humanidades

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POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - I Caderno: Humanidades   integra a série   IMAGENS IMAGINADAS: POÉTICAS VISUAIS   e inaugura uma trilogia de   Cadernos   visuais que reafirmam e insistem na pertinência do gesto manual em face do contexto atual, no qual predominam as imagens automatizadas. Este primeiro volume reúne desenhos e aquarelas que lidam com o campo mais denso e polêmico da série:   Humanidades.   Em um tempo em que o humano deixou de ser uma medida universal para se transformar no campo instável aberto a todas as possibilidades, este   Caderno   apresenta corpos que a contemporaneidade inaugurou, enfatizando uma estabilidade que é, paradoxalmente, sempre provisória. As imagens aqui reunidas são híbridas: nasceram como desenhos e aquarelas, depois foram reprocessadas pela fotografia e intervenções digitais. Transformam-se nessa migração, mas carregam marcas visíveis de decisão, hesitação e excesso. Não há legendas explicativas nem busc...

Ingenuidade e Pretensão

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Porque os livros, a serpente enroscada, a luz da vela, o pano vermelho (imagine se tivesse franjas!) todos assim juntos conferem à imagem esse caráter ao mesmo tempo ingênuo e pretensioso. Mas eu explico. Trata-se de uma ilustração. E, quando a imagem se relaciona com texto de maneira servil, isso acontece e até se justifica, ainda mais fortemente quando tudo se passa no universo místico de uma novela na qual os personagens e o tema não têm consciência de espelharem clichês. Mas, à parte essas tentativas de justificação, venho exagerando no improviso das cores e riscos. Na escrita sou mais alerta. Busco cumprir, com rigor, todas as regras, exceto quando o descumprimento espelha algum propósito. Contudo, nos rabiscos, sobrevêm e predominam o que, na escrita, seriam os garranchos. Acho que tenho pressa. Não posso mais dedicar horas a um desenho como dedicava dias a uma pintura. Não tenho tempo, esse precioso elixir do qual a vida é feita. inteiramente. Até o fim.    

Quem voar primeiro

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Na precipitação, tudo se explica pelos detalhes. A postura traduz o pensamento bem melhor que as palavras. No mesmo fio, sem lacunas além do vazio do ar, a decisão é tomada pelo que voar primeiro.  

O Galo

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 Com tanta coisa melhor para desenhar e pintar, me aparece o galo. O rabo hesitante entre o azul e o roxo. A minha teimosa recusa de "consultar o modelo". O abuso das sombras. O eixo torto. Mas primeiro se pinta, depois se critica. Antes de ser feito, tudo é perfeito. 

Alianças

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Alianças. Sim, alianças são sugestivas. São elos, representam união. São contratos silenciosos e públicos. Casais usam alianças e imagino que deva ser para que se lembrem do vínculo. Ou para que não se esqueçam. Depende. Círculos são contínuos, mas circulam no mesmo lugar. Não vão além. Todavia, algemas também sugerem a mesma ideia. Enfim, é a ambiguidade das representações. Sim, é por isso que a gente sempre pode duvidar delas, as representações. Elas são aquilo que se coloca no lugar de alguma coisa, mas que não é exatamente a mesma coisa que a coisa representada.

Então

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Porque há grandes e pequenas, fortes e fracas. E só isso. Todavia, em última análise, são apenas flores.   

Castelos Confusos

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Os castelos confundiram-se. Não sabem mais o que fazer com a nova ordem das coisas. Porque não fica nada bem para uma coisa servir de abrigo para príncipes, para princesas, para sonhos ou devaneios. Daí entortaram-se. Verdade que os relógios de alguns passaram a andar para trás. Porém, eu soube que foi inútil. Tudo inútil.