Havia tantos nos jardins da minha infância. Encantavam-me com seu colorido, mas estranhava que, tão belas flores não tivessem perfume. Eram flores bonitas mas rebeldes., porque não serviam para enfeitar vasos de flores. Uma vez colhidos, murchavam, tristemente, faziam-se feios, enrugados, escuros. Eu os cozinhava em latas de compota de pêssegos, e extraia um suco roxo, denso, que misturava com água e virava tinta. Brincava assim com essas flores que chamava de Mimos de Vênus, coisa que se ouvia como se fosse Mimos de Vento, mas que pessoas cultas chamavam pelo nome certo: hibiscos.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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