Havia tantos nos jardins da minha infância. Encantavam-me com seu colorido, mas estranhava que, tão belas flores não tivessem perfume. Eram flores bonitas mas rebeldes., porque não serviam para enfeitar vasos de flores. Uma vez colhidos, murchavam, tristemente, faziam-se feios, enrugados, escuros. Eu os cozinhava em latas de compota de pêssegos, e extraia um suco roxo, denso, que misturava com água e virava tinta. Brincava assim com essas flores que chamava de Mimos de Vênus, coisa que se ouvia como se fosse Mimos de Vento, mas que pessoas cultas chamavam pelo nome certo: hibiscos.
Eu não levaria tão a sério. Mas, em parte, merece aparecer por aqui esse acidente fotográfico que fideliza uma realidade indiscutível e, mesmo assim, absurda. Portanto, eis um fantasma plasmado. Um fantasma clássico, do tempo dos lençóis esvoaçantes, dos ambientes sinistros, das luzes incertas. Ele parece andar por corredores embaralhados. Flutuante. Leve. Assombroso. Assombrado. Assombração.

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