De que adiantam tantos propósitos e intenções? Os pés no chão buscam a pedra segura, a areia quente. O resto se abstrai, recolhe-se à secundariedade do que não vem mais ao caso.
Dizem que não se deve desenhar coisas soltas. Que é preciso compor, por aí entendendo dispor os objetos harmonicamente no espaço ou algo assim. Só que não. Tem horas que nada se deseja expressar senão que a expressão em si: o risco em si. Se o risco vira uma rosa, é apenas por detalhe. E foi por conta disso, exatamente, que os rabiscos acabaram por se parecer a rosas, assim, jorrando de algum lugar, aparecendo sozinhas, e juro que até o perfume delas eu cheguei a sentir.
Aquarela de luz que dispensa água e pinceis. Meu reflexo no vidro enquanto fotografava esta fotografia que depois transformei em outra coisa que continua sendo a mesma coisa só que diferentemente do que vinha sendo até então. Porque eu brinco até de seriedade. Faz de conta.
Sei o quanto sou repetitiva quando se trata de dizer o quanto gosto de café. Sim, pelo paladar, naturalmente. Mas, acima disso, pelo que representa. Café é aconchego, é acolhimento, paz e sossego. É minha casa rescendendo a aromas que se cruzam no ar. É pausa para descansar. É o antes, para dar coragem, e é o depois, para reanimar. Sim, agora é o meu café, aqui de casa. Mas havia o teu. que era mágico. Tirado daquela cafeteira italiana achada em ferro velho visitado dia daqueles, pela estrada, por acaso. Mexias na máquina e, por incrível que pareça, nosso cafofo tinha café espresso (sim, com s, italiano). E gostavas de me servir. Era tão nosso aquilo tudo. Acho que é ainda, porque eu soube, sim, não apenas saborear nossos cafés, como também cada segundo daqueles momentos que vivemos. Sem desperdícios. Hoje ainda tenho meu café. Mas tu és agora todo ausência. Um oco cheio de ecos que se confundem às vezes: teu abraço envolvente, nossos silêncios, nossas mãos dadas, pequenos nadas ...
Indefinível sensação que se exprime apenas nas cores e nas formas. É puro receio de que as palavras possam me atirar nos lugares comuns. Minha saudade é só minha, tão minha, que tem um desenho feito agora mesmo especialmente para ela, nesta véspera de Natal, que poderia ser Páscoa ou qualquer outra data tão profana quanto. Um desenho para te dizer que o mundo permanece igual ou pior ao que deixaste, e que eu permaneço nele, por ora, vivenciando o que esse hibisco experimenta: estar solta em meio a um vazio imenso, sem suporte algum além da própria cor e da própria fragilidade. Existencialmente só.
Apenas dias passados, que ficam enfileirados na agenda, anotados com discrição. Mas desses, sempre esses vazios, sorridentes. Só contas, prazos e preocupações. E nem voltei mais aqui, porque não havia o que fazer. Só hoje, florescer.
O adorável vampiro dos Campos Elíseos conquista corações. Pena a vizinhança desagradável... Veja em: https://nadamaisdoqueideias.blogspot.com/2019/09/o-vampiro-dos-campos-eliseos.html , agora com estas ilustrações.
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