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 Pensei em lágrimas, mas depois achei melhor ficar com a água. É que faltou sal.
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POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE : II Caderno: Florações

  POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - II Caderno: Florações   é o segundo   Caderno   da série   IMAGENS IMAGINADAS: POÉTICAS VISUAIS , uma trilogia que reúne desenhos e aquarelas criados à mão, depois fotografados e reprocessados digitalmente. Após   Humanidades , surgem agora as   Florações   — para lembrar aquilo que pode crescer sem cálculo, onde menos se espera. Flores são tema recorrente na arte, talvez porque concentrem em si uma contradição essencial: são frágeis e, ao mesmo tempo, insistentes. As   Florações   deste   Caderno   não buscam fidelidade ao modelo nem compromisso com a realidade. São fruto da memória, do olhar e do impulso que as fizeram surgir no papel. Diante de uma visualidade saturada de eficiência e sentido, estas   Florações   são marginais a qualquer utilidade. Afirmam-se por sua superficialidade, identificando por aí sua resistência silenciosa.   Florações   apenas acontecem.

POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE : III Caderno: Coisas

  POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - III Caderno: Coisas   encerra a série   IMAGENS IMAGINADAS: POÉTICAS VISUAIS , uma trilogia de cadernos visuais que afirmam o gesto manual e o ritmo artesanal em tempos de automação imagética. Após   Humanidades   e   Florações , chegam agora as   Coisas   — o mais aberto e experimental dos três   Cadernos . O mundo das   Coisas   aqui reunidas tem vasos, artefatos e estranhezas. Porém, nem tudo é identificável ou redutível a   Coisas , esses receptáculos de nossos poderes, reféns de nossas decisões. As imagens aqui reunidas retratam o que nunca existiu além da realidade do traço, da afirmação da vontade, da cor e da forma que o gesto criou. Sem legendas e com títulos que pouco informam, as   Coisas   existem para fazer a mediação entre o imaginário e o real. É o bastante.

POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - I Caderno: Humanidades

POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - I Caderno: Humanidades   integra a série   IMAGENS IMAGINADAS: POÉTICAS VISUAIS   e inaugura uma trilogia de   Cadernos   visuais que reafirmam e insistem na pertinência do gesto manual em face do contexto atual, no qual predominam as imagens automatizadas. Este primeiro volume reúne desenhos e aquarelas que lidam com o campo mais denso e polêmico da série:   Humanidades.   Em um tempo em que o humano deixou de ser uma medida universal para se transformar no campo instável aberto a todas as possibilidades, este   Caderno   apresenta corpos que a contemporaneidade inaugurou, enfatizando uma estabilidade que é, paradoxalmente, sempre provisória. As imagens aqui reunidas são híbridas: nasceram como desenhos e aquarelas, depois foram reprocessadas pela fotografia e intervenções digitais. Transformam-se nessa migração, mas carregam marcas visíveis de decisão, hesitação e excesso. Não há legendas explicativas nem busc...

Ingenuidade e Pretensão

Porque os livros, a serpente enroscada, a luz da vela, o pano vermelho (imagine se tivesse franjas!) todos assim juntos conferem à imagem esse caráter ao mesmo tempo ingênuo e pretensioso. Mas eu explico. Trata-se de uma ilustração. E, quando a imagem se relaciona com texto de maneira servil, isso acontece e até se justifica, ainda mais fortemente quando tudo se passa no universo místico de uma novela na qual os personagens e o tema não têm consciência de espelharem clichês. Mas, à parte essas tentativas de justificação, venho exagerando no improviso das cores e riscos. Na escrita sou mais alerta. Busco cumprir, com rigor, todas as regras, exceto quando o descumprimento espelha algum propósito. Contudo, nos rabiscos, sobrevêm e predominam o que, na escrita, seriam os garranchos. Acho que tenho pressa. Não posso mais dedicar horas a um desenho como dedicava dias a uma pintura. Não tenho tempo, esse precioso elixir do qual a vida é feita. inteiramente. Até o fim.    

Quem voar primeiro

Na precipitação, tudo se explica pelos detalhes. A postura traduz o pensamento bem melhor que as palavras. No mesmo fio, sem lacunas além do vazio do ar, a decisão é tomada pelo que voar primeiro.  

O Galo

 Com tanta coisa melhor para desenhar e pintar, me aparece o galo. O rabo hesitante entre o azul e o roxo. A minha teimosa recusa de "consultar o modelo". O abuso das sombras. O eixo torto. Mas primeiro se pinta, depois se critica. Antes de ser feito, tudo é perfeito.