Postagens

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

Imagem
  É marginal o estado do barco: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Ambiguidades. Mas, se cumpre o ditado, nem por isso navega; tampouco se move pela terra. Preso à areia da praia, não deixa de brincar com as águas do mar. E o que faz então o barco? Ele espera. Não que se entregue ao caso. Antes, entrega-se à força dos ventos e à fatalidade das marés, porque conhece uns e outras. 

Rosas

Imagem
Rosas.  Li que são cultivadas há mais de 4.000 anos. Sinal de que a beleza importa.      

Caderno dos esboços que não deram tão certo assim

Imagem
Uma folha A4 de papel aquarela dobrada.  Restos de papel na capa, um laço frouxo, o nome gravado com carimbo improvisado.  Por dentro, o risco malfeito, a pressa, o traço que escapa antes do próximo compromisso.  Na página interna, o registro honesto: este é o caderno dos esboços que não deram tão certo assim.    Risco o papel enquanto trabalho, como se a simultaneidade pudesse diminuir a culpa sombria que chega sem aviso.  Uma noção distorcida do tempo, essa que sussurra que criar não é digno, ou que exige que a criação seja paga com alguma espécie de sofrimento perverso.  Mas eu insisto.  Ou teimo.

Coisas do Caderno

Imagem
É uma lembrança vaga que tenho. Mas havia o hábito de se "poupar" papel. Não, não é tão vaga a lembrança: era, sim, altamente reprovável desperdiçar papel. As folhas de caderno deveriam ser usadas com parcimônia. Não se devia escrever pulando linhas. Nem com letras grandes demais. Letras grandes e feias eram chamadas de garranchos. O espaço da folha deveria ser usado de modo a não desperdiçar papel. E lembro agora, a propósito, que cadernos com espiral tinha a desvantagem de não demonstrar páginas arrancadas.Eram mais bonitos que os comuns, os mais simples, que tinham o hino nacional impresso na contracapa. Por que me lembro disso agora? Porque hoje me dou ao luxo de ter cadernos para gastar páginas inteiras com desenhos. Não que eu não desenhasse nos cadernos dos tempos de colégio. Desenhava, sim. Só não ocupava páginas inteiras como hoje, com aquarelas. E ainda me permito escrever por cima. E mais: posso escrever até bobagens, coisas sem sentido, pensamentos, frases soltas,...

Opção

Imagem
 Pensei em lágrimas, mas depois achei melhor ficar com a água. É que faltou sal.

POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE : II Caderno: Florações

Imagem
  POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - II Caderno: Florações   é o segundo   Caderno   da série   IMAGENS IMAGINADAS: POÉTICAS VISUAIS , uma trilogia que reúne desenhos e aquarelas criados à mão, depois fotografados e reprocessados digitalmente. Após   Humanidades , surgem agora as   Florações   — para lembrar aquilo que pode crescer sem cálculo, onde menos se espera. Flores são tema recorrente na arte, talvez porque concentrem em si uma contradição essencial: são frágeis e, ao mesmo tempo, insistentes. As   Florações   deste   Caderno   não buscam fidelidade ao modelo nem compromisso com a realidade. São fruto da memória, do olhar e do impulso que as fizeram surgir no papel. Diante de uma visualidade saturada de eficiência e sentido, estas   Florações   são marginais a qualquer utilidade. Afirmam-se por sua superficialidade, identificando por aí sua resistência silenciosa.   Florações   apenas acontecem.

POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE : III Caderno: Coisas

Imagem
  POÉTICAS VISUAIS À MÃO LIVRE - III Caderno: Coisas   encerra a série   IMAGENS IMAGINADAS: POÉTICAS VISUAIS , uma trilogia de cadernos visuais que afirmam o gesto manual e o ritmo artesanal em tempos de automação imagética. Após   Humanidades   e   Florações , chegam agora as   Coisas   — o mais aberto e experimental dos três   Cadernos . O mundo das   Coisas   aqui reunidas tem vasos, artefatos e estranhezas. Porém, nem tudo é identificável ou redutível a   Coisas , esses receptáculos de nossos poderes, reféns de nossas decisões. As imagens aqui reunidas retratam o que nunca existiu além da realidade do traço, da afirmação da vontade, da cor e da forma que o gesto criou. Sem legendas e com títulos que pouco informam, as   Coisas   existem para fazer a mediação entre o imaginário e o real. É o bastante.