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São azuis

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 Impulso noturno. A tal vontade de pintar. Me entrego aos pinceis e às águas. É o meu jardim de flores inventadas no qual descubro que troncos secos também florescem, mesmo sob céus febris.

Pobre imitação

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 Cores. Gloriosas cores que as tintas só podem pobremente imitar.

Existencialmente só

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Indefinível sensação que se exprime apenas nas cores e nas formas. É puro receio de que as palavras possam me atirar nos lugares comuns. Minha saudade é só minha, tão minha, que tem um desenho feito agora mesmo especialmente para ela, nesta véspera de Natal, que poderia ser Páscoa ou qualquer outra data tão profana quanto. Um desenho para te dizer que o mundo permanece igual ou pior ao que deixaste, e que eu permaneço nele, por ora, vivenciando o que esse hibisco experimenta: estar solta em meio a um vazio imenso, sem suporte algum além da própria cor e da própria fragilidade. Existencialmente só. 

Muito embora

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Comecei a desenhar com certo cuidado até, na expectativa de descobrir que flores viriam. Nenhuma saiu da pontas do lápis. E depois, nenhuma tampouco saiu da ponta do pincel. Mexi com as cores, fui e voltei pelas folhas e pelas hastes. Iluminei e escureci o fundo. Nenhuma flor. Tenho para mim que, desta vez, não houve flores, muito embora o viço das folhas. Muito embora esperasse por elas. Muito embora já seja noite, e muito embora eu saiba que, mesmo que houvesse flores, tu não estás mais aqui para recebê-las de mim.

Marca Registrada

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 Sei que existem muitas flores no mundo. Mas as que procuro não existem e, portanto, preciso inventá-las. Saem assim: tortas, desencontradas, estupidas no colorido e na forma. Nascem de gestos brutos, do excesso de tintas, da pressa, da imperfeição que é, enfim, a marca registrada de tudo que é provisório e improvisado.

Nem sempre

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 Faz parte do enredo. Uvas nem sempre doces, panos de fundo nem sempre limpos e amparo em galhos nem sempre livres de espinhos. Ao final, tudo se confunde. Não se salva sequer a integridade de um céu nem sempre livre dos borrões das tintas que a água tornou indecisas. 

Curiosa

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 Porque sempre existe alguém que não resiste e espia o tempo todo