Então eu fiz isso tudo correndo. Quase quebrando pontas de lápis, riscando com elas até o desgaste. Mais as tintas depois por cima de tudo, e os brancos naturalmente. Porque deixar os brancos vai te fazer perceber o que não foi dito. Desenho e pinto tudo aquilo que eu não digo: inconfessáveis irracionalidades. Depois de tudo pronto e exposto nessas paredes de luz, compreendo que esqueci das flores, justamente hoje, quando amarelos luminosos se intrometeram por entre os riscos só para confundir as minhas palavras.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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