Uma folha A4 de papel aquarela dobrada.
Restos de papel na capa, um laço frouxo, o nome gravado com carimbo improvisado.
Por dentro, o risco malfeito, a pressa, o traço que escapa antes do próximo compromisso.
Na página interna, o registro honesto: este é o caderno dos esboços que não deram tão certo assim.
Risco o papel enquanto trabalho, como se a simultaneidade pudesse diminuir a culpa sombria que chega sem aviso.
Uma noção distorcida do tempo, essa que sussurra que criar não é digno, ou que exige que a criação seja paga com alguma espécie de sofrimento perverso.
Mas eu insisto.
Ou teimo.


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