Comecei a desenhar com certo cuidado até, na expectativa de descobrir que flores viriam. Nenhuma saiu da pontas do lápis. E depois, nenhuma tampouco saiu da ponta do pincel. Mexi com as cores, fui e voltei pelas folhas e pelas hastes. Iluminei e escureci o fundo. Nenhuma flor. Tenho para mim que, desta vez, não houve flores, muito embora o viço das folhas. Muito embora esperasse por elas. Muito embora já seja noite, e muito embora eu saiba que, mesmo que houvesse flores, tu não estás mais aqui para recebê-las de mim.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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