Sei que existem muitas flores no mundo. Mas as que procuro não existem e, portanto, preciso inventá-las. Saem assim: tortas, desencontradas, estupidas no colorido e na forma. Nascem de gestos brutos, do excesso de tintas, da pressa, da imperfeição que é, enfim, a marca registrada de tudo que é provisório e improvisado.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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