Pular para o conteúdo principal

Existencialmente só

Indefinível sensação que se exprime apenas nas cores e nas formas. É puro receio de que as palavras possam me atirar nos lugares comuns. Minha saudade é só minha, tão minha, que tem um desenho feito agora mesmo especialmente para ela, nesta véspera de Natal, que poderia ser Páscoa ou qualquer outra data tão profana quanto. Um desenho para te dizer que o mundo permanece igual ou pior ao que deixaste, e que eu permaneço nele, por ora, vivenciando o que esse hibisco experimenta: estar solta em meio a um vazio imenso, sem suporte algum além da própria cor e da própria fragilidade. Existencialmente só. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fantasma

 Eu não levaria tão a sério. Mas, em parte, merece aparecer por aqui esse acidente fotográfico que fideliza uma realidade indiscutível e, mesmo assim, absurda. Portanto, eis um fantasma plasmado. Um fantasma clássico, do tempo dos lençóis esvoaçantes, dos ambientes sinistros, das luzes incertas. Ele parece andar por corredores embaralhados. Flutuante. Leve. Assombroso. Assombrado. Assombração.

Coisas do Caderno

É uma lembrança vaga que tenho. Mas havia o hábito de se "poupar" papel. Não, não é tão vaga a lembrança: era, sim, altamente reprovável desperdiçar papel. As folhas de caderno deveriam ser usadas com parcimônia. Não se devia escrever pulando linhas. Nem com letras grandes demais. Letras grandes e feias eram chamadas de garranchos. O espaço da folha deveria ser usado de modo a não desperdiçar papel. E lembro agora, a propósito, que cadernos com espiral tinha a desvantagem de não demonstrar páginas arrancadas.Eram mais bonitos que os comuns, os mais simples, que tinham o hino nacional impresso na contracapa. Por que me lembro disso agora? Porque hoje me dou ao luxo de ter cadernos para gastar páginas inteiras com desenhos. Não que eu não desenhasse nos cadernos dos tempos de colégio. Desenhava, sim. Só não ocupava páginas inteiras como hoje, com aquarelas. E ainda me permito escrever por cima. E mais: posso escrever até bobagens, coisas sem sentido, pensamentos, frases soltas,...

Era uma vez

Embora não faça sentido de verdade, nada impede que se invente era uma vez . Porque poderia ter sido uma borboleta, e poderia ter sido uma rede na qual ela pousou. Tanto faz, desde que não se prenda na rede, desde que a rede seja nada mais que um fundo imprevisto, provisório, improvisado.