Indefinível sensação que se exprime apenas nas cores e nas formas. É puro receio de que as palavras possam me atirar nos lugares comuns. Minha saudade é só minha, tão minha, que tem um desenho feito agora mesmo especialmente para ela, nesta véspera de Natal, que poderia ser Páscoa ou qualquer outra data tão profana quanto. Um desenho para te dizer que o mundo permanece igual ou pior ao que deixaste, e que eu permaneço nele, por ora, vivenciando o que esse hibisco experimenta: estar solta em meio a um vazio imenso, sem suporte algum além da própria cor e da própria fragilidade. Existencialmente só.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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