Cor demais. E nunca é o bastante. Parece que estou longe da leveza, das elegantes transparências que fazem de uma aquarela algo suave e sofisticado. Minhas aquarelas são brutas. Coloridas demais. Fortes demais. Imagino que a culpa disso seja do diluente que tenho usado nos pigmentos. Eu deveria usar água. Lágrimas deixam as cores excessivamente marcantes. Indiscretas.
Eu não levaria tão a sério. Mas, em parte, merece aparecer por aqui esse acidente fotográfico que fideliza uma realidade indiscutível e, mesmo assim, absurda. Portanto, eis um fantasma plasmado. Um fantasma clássico, do tempo dos lençóis esvoaçantes, dos ambientes sinistros, das luzes incertas. Ele parece andar por corredores embaralhados. Flutuante. Leve. Assombroso. Assombrado. Assombração.

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