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Muito embora

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Comecei a desenhar com certo cuidado até, na expectativa de descobrir que flores viriam. Nenhuma saiu da pontas do lápis. E depois, nenhuma tampouco saiu da ponta do pincel. Mexi com as cores, fui e voltei pelas folhas e pelas hastes. Iluminei e escureci o fundo. Nenhuma flor. Tenho para mim que, desta vez, não houve flores, muito embora o viço das folhas. Muito embora esperasse por elas. Muito embora já seja noite, e muito embora eu saiba que, mesmo que houvesse flores, tu não estás mais aqui para recebê-las de mim.

Marca Registrada

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 Sei que existem muitas flores no mundo. Mas as que procuro não existem e, portanto, preciso inventá-las. Saem assim: tortas, desencontradas, estupidas no colorido e na forma. Nascem de gestos brutos, do excesso de tintas, da pressa, da imperfeição que é, enfim, a marca registrada de tudo que é provisório e improvisado.

Nem sempre

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 Faz parte do enredo. Uvas nem sempre doces, panos de fundo nem sempre limpos e amparo em galhos nem sempre livres de espinhos. Ao final, tudo se confunde. Não se salva sequer a integridade de um céu nem sempre livre dos borrões das tintas que a água tornou indecisas. 

Curiosa

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 Porque sempre existe alguém que não resiste e espia o tempo todo

Quem sabe?

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 Para que a segunda-feira não passe em branco, trouxe o vermelho. São as tintas. As cores que queria tanto te entregar. As flores, os detalhes de fundo. Nada escapava ao teu olhar. Então, quem sabe?

Vaidosas

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Porque há flores que demoram mais para se arrumar.

Não assim

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Arranquei as flores e joguei no cesto sem limpar a terra que havia no fundo. Porque não daria tempo, não daria mais tempo. Não agora. Não hoje. Não assim.