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Triste saudade

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Tristeza insiste.  Insiste tanto que se estampa.  Aparece sozinha e puxa os traços assim.  Vai moldando o desenho, as cores, o movimento.  Tristeza insiste.  No fundo, no fundo nem é tristeza: é mesmo saudade.  Uma triste saudade que não tem mais fim.

Como plantas

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Tem dias assim. Que somos como as plantas fixadas nos potes à espera de que nos venha a água da chuva do céu ou dos zeladores, frenquentemente displicentes, que nos regam. 

Um dia, quem sabe

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Um dia, quem sabe, quando o meu tempo interno não for mais pautado por esse tempo que não é o meu. Daí eu desenharei melhor. Daí eu porei as cores certas nos lugares certos. Tem horas que não é possível sequer dar tempo à construção das sombras.

Quando pensar é doloroso

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Quando pensar é doloroso e as ideias não ocorrem é hora de silenciar. O vazio pode ser menos ameaçador, pode ser mais próximo da paz. Não há razão para fugir dos desertos nem da ausência dos desejos. 

A maçã é um clássico

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A maçã é um clássico. Seja no desenho, seja no pecado, é sempre uma boa fonte de inspiração. Mais rica em tonalidades e cores do que em sabores, esse fruto discreto é, todavia, perfeitamente capaz de tentar pela gula, ainda mais quando recombinado com cravo e canela.  Aliás, pensando nisso, boa ideia...

O palhaço e a quarta-feira de cinzas

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Mais um Carnaval. A fantasia, contudo, persiste. Porque a vida, às vezes, requer um rosto alegre para disfarçar uma alma triste. Ou mesmo o contrário. Penso, então, no palhaço, figura da qual não gosto. Por mais sorridente e colorido que se apresente, o palhaço sempre me sugere algo meio assustador, meio tétrico. Não gosto de palhaços. Aliás, nem deste, que eu mesma fiz, cheguei a gostar. Então, que ele fique bem assim: proscrito às cinzas. 

Apressadas

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Nasceram assim, tão apressadas. Verdadeiramente improvisadas. Porque era preciso fazer alguma coisa, preencher o vazio dos dias, das ideias, da vontade de criar. Que há dias que são todos vividos para os outros, para todos esses demais que estão por aí no mundo. Então, quando se pode esvaziar os olhos e os ouvidos do resto do mundo, é ainda necessário esperar um pouco, até que a última sombra se afaste. Enfim, a solidão. Os dias em casa reservados ao culto do pensamento. Ao culto de si, do habitat daquilo que é intimo.