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Os salvados

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 Penso sempre nos desacertos que cometi: quem sabe? Única explicação que encontro para continuar insistindo nesses enigmas, nelas janelas e gavetas. Talvez porque haja ainda o que descobrir além de nossa morada e o que recolher e engavetar: os salvados à matéria vital.

Inútil espera

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O cotidiano não pode ser elaborado. Ele é simples, seja quando tem pressa, seja quando se espreguiça.  Se algo acontece, está além da janela, como a luz, como o vento, como os verdes e os azuis; do lado de dentro, a inútil espera: não vais voltar.  

Vermelhas

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 Para que tenhas um dia melhor, caso apareças por aqui. Não precisas dizer nada. E podes colher essas flores vermelhas, que são eternas como a luz que as capturou. 

Sim

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 Torres, sim. Longe da terra, mas perto do céu: abstração, meu pensamento, teu passamento. Saudade.

Gravidez

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Quando se concebe no espírito, engravida-se de novas ideias...

Simples assim.

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 Porque colorir é divertido.

Aves-do-paraíso

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 Ao ouvir pela primeira vez que existia um pássaro chamado ave-do-paraíso, eu quis saber como ele era. Achei a imagem e confesso que esperava mais  de um bicho que, afinal de contas, morava no Paraíso, lugar para onde iriam as pessoas boas, ou seja, gente que não pecava. Depois soube, por meu avô Paschoal, que era só o nome da ave que falava em Paraíso, e que isso não significava tratar-se de um ser sobrenatural, que habitava em lugar também sobrenatural. Tive, então, graças ao nome de uma ave e graças ao meu avô Paschoal, uma iniciação verdadeiramente metafísica, respeitadas as devidas proporções. Compreendi, enfim, perfeitamente bem, que o Paraíso era quase a mesma coisa que o tal faz de conta, coisa que estava ao meu alcance fazer acontecer. Compreendi também que, se havia ou não aves no Paraíso, só depois de chegar lá seria possível saber.  Hoje penso que meu avô já sabe como são as aves que existem no Paraíso, pois, naturalmente, é lá que ele deve estar. Eu, to...