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Hibisco

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 Havia tantos nos jardins da minha infância. Encantavam-me com seu colorido, mas estranhava que, tão belas flores não tivessem  perfume. Eram flores bonitas mas rebeldes., porque não serviam para enfeitar vasos de flores. Uma vez colhidos, murchavam, tristemente, faziam-se feios, enrugados, escuros. Eu os cozinhava em latas de compota de pêssegos, e extraia um suco roxo, denso, que misturava com água e virava tinta. Brincava assim com essas flores que chamava de Mimos de Vênus,  coisa que se ouvia como se fosse Mimos de Vento, mas que pessoas cultas chamavam pelo nome certo: hibiscos. 

Repentinamente o vento

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 Repentinamente o vento abre uma janela na parede, ergue cortinas e quase abre minhas gavetas.

Será?

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 Sem precisão. Se é que você me entende.

Desiguais

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 Vida e morte, cada uma com a estética que lhe é própria, inerente a cada desigualdade.

Nunca mais outra vez

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Pensei comigo, enquanto o lápis corria pelo papel, que estavas bem ali, a olhar as cores, os claros, os escuros, tudo enfim. Cheguei a sentir teu olhar, tua presença, e fiz de conta que sim, que ali estavas, do meu lado, quieto, mas atento, como sempre. Mas logo depois me dei conta de que não era mais sempre, porque é nunca: nunca mais outra vez.  

Por hoje

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  No desacerto das cores e na fragilidade do papel, as marcações imprevistas. Seja, todavia, a ideia a prevalecer sobre a forma, desastrada e primária. Que as águas sejam profundas, e que os verdes tenham raízes, em que pese flutuarem sob a luz incerta que precede o anoitecer. 

Quisera

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 Quisera poder expressar o que imaginei. Rosas e azuis puros seriam, não fosse o peso das cinzas precipitadas assim, como antevisão de um luto que mesmo passado se lança sempre ao futuro.