Pensei comigo, enquanto o lápis corria pelo papel, que estavas bem ali, a olhar as cores, os claros, os escuros, tudo enfim. Cheguei a sentir teu olhar, tua presença, e fiz de conta que sim, que ali estavas, do meu lado, quieto, mas atento, como sempre. Mas logo depois me dei conta de que não era mais sempre, porque é nunca: nunca mais outra vez.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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