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Olhar menos e ver mais

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 Seria delicioso poder olhar menos e ver mais. Olhar por olhar é só ruido, barulho; mas ver, VER de verdade, assimilar cores e formas em seu significado mais profundo é elevar-se na escala desse sentido. Queria sempre poder ver cada vez mais. Há momentos, porém, em que os espelhos nos cegam.

Obediência

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Tem horas que fica tão difícil as cores e os riscos nos obedecerem!  Eu ordeno aos vermelhos que hajam como tais, e eles se tornam rosados.  Eu ordeno as traços que se equilibrem e que se harmonizem, e eles teimam em permanecer anárquicos.  Eu ordeno que haja beleza, e ela se esconde. E eu então, mais nada.

Coisa de criança

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Porque, hoje, particularmente, não teria nada a dizer, a não ser isso mesmo.

Saudade de azuis

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Nem sei bem por que razão, me aflige a falta de azuis. Gosto de bater o olho em algum lugar e ali me deparar com azuis, ao menos rasgos de azuis, ainda que tendam aos verdes. Não importa. Afinal, a pureza das cores é rara, ainda que não tão rara quanto aquela do coração homens.

Tangente

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Porque tem horas que não vale a pena ir direto ao ponto.

Segredos de gaveta

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A gaveta. Sempre ela. Mesas com gavetas são mesas especiais. Vão além da sua função de simplesmente serem mesas com coisas postas. Mesas com gavetas guardam segredos. E as gavetas servem justamente para preservá-los. Aliás, ainda que saibamos que quase não há mais segredos, é fundamental guardá-los. E, caso você, como tantos de nós, não os tenha, trate de inventar alguns para ao menos ter o que colocar nas suas gavetas. Ah... Por que as frutas e o pano? Simples. Para desviar a atenção dos segredos que estão na gaveta.

Como assim?

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Porque os desenhos acontecem. A saber de onde sua intencionalidade, se houver. Porque não me parecem de propósito. São apenas riscos e tintas que se fazem sozinhos, manchando o papel, fruto da distração e da deliciosa ociosidade que, sem querer, se torna... produtiva? Como assim?