Inexplicável. Há uma ideia. Uma sequência. Há cores escolhidas, e há o papel sobre o qual a coisa toda deveria acontecer. Mas como isso não é algo que se controle, eis que acontecem os tais quadrinhos azuis, muito feios por sinal. E, como se não bastasse, uma das flores não se decide e nos dá a face ou as costas. Os verdes se desassinalam. O resultado é um tema desafinado. Bem assim.
Tristeza insiste. Insiste tanto que se estampa. Aparece sozinha e puxa os traços assim. Vai moldando o desenho, as cores, o movimento. Tristeza insiste. No fundo, no fundo nem é tristeza: é mesmo saudade. Uma triste saudade que não tem mais fim.
Tem dias assim. Que somos como as plantas fixadas nos potes à espera de que nos venha a água da chuva do céu ou dos zeladores, frenquentemente displicentes, que nos regam.
Um dia, quem sabe, quando o meu tempo interno não for mais pautado por esse tempo que não é o meu. Daí eu desenharei melhor. Daí eu porei as cores certas nos lugares certos. Tem horas que não é possível sequer dar tempo à construção das sombras.
Quando pensar é doloroso e as ideias não ocorrem é hora de silenciar. O vazio pode ser menos ameaçador, pode ser mais próximo da paz. Não há razão para fugir dos desertos nem da ausência dos desejos.
A maçã é um clássico. Seja no desenho, seja no pecado, é sempre uma boa fonte de inspiração. Mais rica em tonalidades e cores do que em sabores, esse fruto discreto é, todavia, perfeitamente capaz de tentar pela gula, ainda mais quando recombinado com cravo e canela. Aliás, pensando nisso, boa ideia...