Nunca mais encontrei a padeira. Inspiração em Vermeer. Doei para alguém que gostava dela. Mas a vida nos desencontrou. E este, como muitos outros quadros, se perdeu.
Embora não faça sentido de verdade, nada impede que se invente era uma vez . Porque poderia ter sido uma borboleta, e poderia ter sido uma rede na qual ela pousou. Tanto faz, desde que não se prenda na rede, desde que a rede seja nada mais que um fundo imprevisto, provisório, improvisado.
Eu não levaria tão a sério. Mas, em parte, merece aparecer por aqui esse acidente fotográfico que fideliza uma realidade indiscutível e, mesmo assim, absurda. Portanto, eis um fantasma plasmado. Um fantasma clássico, do tempo dos lençóis esvoaçantes, dos ambientes sinistros, das luzes incertas. Ele parece andar por corredores embaralhados. Flutuante. Leve. Assombroso. Assombrado. Assombração.
Aquarela de luz que dispensa água e pinceis. Meu reflexo no vidro enquanto fotografava esta fotografia que depois transformei em outra coisa que continua sendo a mesma coisa só que diferentemente do que vinha sendo até então. Porque eu brinco até de seriedade. Faz de conta.
E em pleno domingo eu me pego brincando de Templários, viajando no palpite de quem me disse para pensar em algo sobre Jacques de Molay. E os rabiscos, esses meus mapas do tesouro, como sempre, seguem invadindo as minhas agendas, os meus cadernos, e direcionando as minhas emoções para lá e para cá.