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Adão e Eva

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O Paraíso não importa. Os laços, sim.

Sem fim

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 Que sejam secos os galhos pelos quais um dia fluiu a seiva. Não menos, porém, pela morte que resseca; não menos, pela morte, porque nela há toda vida que não houve, toda intensidade da promessa, toda ousadia imaginada do que ficou por último: sem fim.

Retrato?

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Em meio a traços confusos, reconheço teu olhar.   

Rosas místicas

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 Rosas místicas, císticas, encaroçadas e sistêmicas. Caracóis imprevisíveis que invadiram o papel e contagiaram até as dobras do pano. Ordeiras, alinhadas, bonitas.

Girassóis

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Dá para dizer que girassóis são um clássico? Acho que sim. Passaram por muitos pinceis e têm até algum mistério. Minha mãe dizia que davam sorte, que traziam alegria. Então penso que uma e outra nunca são demais. 

Desejo

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Muitas cores, muitos contrastes, muitos detalhes. Muita força na água que dissolve os pigmentos coloridos, muita espontaneidade. Nenhum projeto, nenhum planejamento, nenhuma direção, exceto meu desejo de que o imponderável possa novamente permear o real, para torná-lo pleno outra vez. 

Em presença da tua ausência

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Depois que acontece, e só depois, eu olho e então vejo o que fiz. Não, não há mistérios. Não há estranhas influências. Há apenas a tua ausência, ela mesma, que se torna um ente. Um ente que é. Ser intransitivo obediente à lógica do desespero, que se projeta em premissas, que cria e recria palavras, que combina e recombina verdades. Ente é o ser que é. E tua ausência, portanto, não é um vazio: é a presença dela mesma. Bem assim. Real. Banal. Tão real que até cabe nesta gaveta de onde a escuridão transborda. Diante dela, uma lápide que recorta um pedacinho de céu e flores que, descombinadas, te levo sempre. Até que, qualquer dia desses, possamos finalmente nos encontrar lá em Nunca Mais.