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Acontece

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E aí as uvas se misturaram e, no fim, desisti do cacho caprichado que ficou perdido em algum lugar, debaixo de camadas e camadas da tinta virtual.  É.  Às vezes acontece.  A gente se perde em meio aos riscos e as cores. Sorte que, afinal, tudo é apenas provisório. Ah! E improvisado também.

Procurando nada

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Quando as linhas e as cores se desunem, elas lembram um jogo de cartas no qual as figuras, adquirindo autonomia, fugiriam de seus limites, caindo fora de seus respectivos quadrados.  Então, finalmente livres, perderiam suas cores, suas formas, desalinhando-se, descolorindo-se, desencarnando-se. Liberdade é meio assim também. É sempre um pouco menos de si, um pouco menos de eu, menos de você, menos de nós e d'eles, é também menos de tudo um pouco, saindo por aí à procura do nada

Sem título

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 Podia ser qualquer coisa, podia ser por acaso, podia ser, quem sabe, de propósito. Podia ser sem querer. Tudo suposições, bem assim como o X da questão, que é, decididamente, azul.

Culpas & Desculpas

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 Pela friagem das cores, pela primariedade do traço, pelo descaso do traçado, pela tristeza das linhas e por tudo aquilo que eu não soube dizer... diria... o quê? Perdão, talvez. Mas depois penso: serão culpas? Culpar a friagem pela frieza, a primariedade, pelo primordial, o descaso, pelo espontâneo, a tristeza, pela impotência? E o que mais eu não saberia dizer do que sei? Culpas por essas desculpas. 

Deformidades

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Porque as formas podem ser transformadas e transtornadas. Bem assim.  

Seria a dor?

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  Talvez fosse. Não estou certa. Mas alguns elementos constantemente presentes devem fazer parte de qualquer dor: o vermelho e o negro, os rasgos, os traços duros e as figuras monótonas. Mais nada.

Simplificação

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  Tanto se simplificam as coisas que, no fim, sobra mesmo muito pouco. E é justamente por isso que, às vezes, o barroco nos faz falta: um pouco de enfeites, de exageros, de inversões... Dir-se-ia mesmo umas e outras mesóclises.