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Mostrando postagens de 2025

Ingenuidade e Pretensão

Porque os livros, a serpente enroscada, a luz da vela, o pano vermelho (imagine se tivesse franjas!) todos assim juntos conferem à imagem esse caráter ao mesmo tempo ingênuo e pretensioso. Mas eu explico. Trata-se de uma ilustração. E, quando a imagem se relaciona com texto de maneira servil, isso acontece e até se justifica, ainda mais fortemente quando tudo se passa no universo místico de uma novela na qual os personagens e o tema não têm consciência de espelharem clichês. Mas, à parte essas tentativas de justificação, venho exagerando no improviso das cores e riscos. Na escrita sou mais alerta. Busco cumprir, com rigor, todas as regras, exceto quando o descumprimento espelha algum propósito. Contudo, nos rabiscos, sobrevêm e predominam o que, na escrita, seriam os garranchos. Acho que tenho pressa. Não posso mais dedicar horas a um desenho como dedicava dias a uma pintura. Não tenho tempo, esse precioso elixir do qual a vida é feita. inteiramente. Até o fim.    

Quem voar primeiro

Na precipitação, tudo se explica pelos detalhes. A postura traduz o pensamento bem melhor que as palavras. No mesmo fio, sem lacunas além do vazio do ar, a decisão é tomada pelo que voar primeiro.  

O Galo

 Com tanta coisa melhor para desenhar e pintar, me aparece o galo. O rabo hesitante entre o azul e o roxo. A minha teimosa recusa de "consultar o modelo". O abuso das sombras. O eixo torto. Mas primeiro se pinta, depois se critica. Antes de ser feito, tudo é perfeito. 

Alianças

Alianças. Sim, alianças são sugestivas. São elos, representam união. São contratos silenciosos e públicos. Casais usam alianças e imagino que deva ser para que se lembrem do vínculo. Ou para que não se esqueçam. Depende. Círculos são contínuos, mas circulam no mesmo lugar. Não vão além. Todavia, algemas também sugerem a mesma ideia. Enfim, é a ambiguidade das representações. Sim, é por isso que a gente sempre pode duvidar delas, as representações. Elas são aquilo que se coloca no lugar de alguma coisa, mas que não é exatamente a mesma coisa que a coisa representada.

Então

Porque há grandes e pequenas, fortes e fracas. E só isso. Todavia, em última análise, são apenas flores.   

Castelos Confusos

Os castelos confundiram-se. Não sabem mais o que fazer com a nova ordem das coisas. Porque não fica nada bem para uma coisa servir de abrigo para príncipes, para princesas, para sonhos ou devaneios. Daí entortaram-se. Verdade que os relógios de alguns passaram a andar para trás. Porém, eu soube que foi inútil. Tudo inútil.   

A Padeira

 Nunca mais encontrei a padeira. Inspiração em Vermeer. Doei para alguém que gostava dela. Mas a vida nos desencontrou. E este, como muitos outros quadros, se perdeu.