É uma lembrança vaga que tenho. Mas havia, sim, o hábito de se "poupar" papel. Não, não é tão vaga assim a lembrança: era, sim, altamente reprovável desperdiçar papel. As folhas de caderno deveriam ser usadas com parcimônia. Não se devia escrever pulando linhas. Nem com letras grandes demais. Letras grandes e feias eram chamadas de garranchos. O espaço da folha deveria ser usado de modo a não desperdiçar papel. E lembro agora, a propósito, que cadernos com espiral tinha a desvantagem de não demonstrar páginas arrancadas.Eram mais bonitos que os comuns, os mais simples, que tinham o hino nacional impresso na contracapa. Por que me lembro disso agora? Porque hoje me dou ao luxo de ter cadernos para gastar páginas inteiras com desenhos. Não que eu não desenhasse nos cadernos dos tempos de colégio. Desenhava, sim. Só não ocupava páginas inteiras como hoje, com aquarelas. E ainda me permito escrever por cima. E mais: posso escrever até bobagens, coisas sem sentido, pensamentos, frases soltas, e até qualquer coisa para treinar a letra ou experimentar a caneta. Um luxo.
Eu não levaria tão a sério. Mas, em parte, merece aparecer por aqui esse acidente fotográfico que fideliza uma realidade indiscutível e, mesmo assim, absurda. Portanto, eis um fantasma plasmado. Um fantasma clássico, do tempo dos lençóis esvoaçantes, dos ambientes sinistros, das luzes incertas. Ele parece andar por corredores embaralhados. Flutuante. Leve. Assombroso. Assombrado. Assombração.

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