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Mostrando postagens de 2022

Rebeca

 Finalmente, Rebeca, desenhada em poucos traços, rapidamente, quando voltava das compras e tomava a chuva de que tanto gostava. Deve ser ela mesma, porque surgiu muito espontaneamente. 

Só pode

Horas e horas. O tempo. Relógios. As manhãs. Poderiam ser seis horas da tarde, mas, se é despertador, então, são seis da manhã. Só pode.

Café

 Sei o quanto sou repetitiva quando se trata de dizer o quanto gosto de café. Sim, pelo paladar, naturalmente. Mas, acima disso, pelo que representa. Café é aconchego, é acolhimento, paz e sossego. É minha casa rescendendo a aromas que se cruzam no ar. É pausa para descansar. É o antes, para dar coragem, e é o depois, para reanimar. Sim, agora é o meu café, aqui de casa. Mas havia o teu. que era mágico. Tirado daquela cafeteira italiana achada em ferro velho visitado dia daqueles, pela estrada, por acaso. Mexias na máquina e, por incrível que pareça, nosso cafofo tinha café espresso (sim, com s, italiano). E gostavas de me servir. Era tão nosso aquilo tudo. Acho que é ainda, porque eu soube, sim, não apenas saborear nossos cafés, como também cada segundo daqueles momentos que vivemos. Sem desperdícios. Hoje ainda tenho meu café. Mas tu és agora todo ausência. Um oco cheio de ecos que se confundem às vezes: teu abraço envolvente, nossos silêncios, nossas mãos dadas, pequenos nadas ...

A Alma da Planta

 Que sem querer acabou vindo parar aqui.

A Alma das Coisas

 Porque a matéria também pode ter memória.

Sutilmente

 Faz de conta que eu sabia.  No entanto, ignorava. Apenas segui os passos preguiçosos marcados pela tinta que escorria da ponta do pincel, sucedida pelos corantes, desviada do rumo pelas asperezas do papel. Sutilmente.

Faz tempo

 Faz tempo que fiz e nem lembrava. É cidade, sim, porque tem casas, portas, janelas, ruas e telhados. Há céu, fundo e poças d'água. Há gente também, mas se esconderam, fugiram ou não existem mais.

Florescer

Apenas dias passados, que ficam enfileirados na agenda, anotados com discrição. Mas desses, sempre esses vazios, sorridentes. Só contas, prazos e preocupações. E nem voltei mais aqui, porque não havia o que fazer. Só hoje, florescer.