E foi assim que eu desordenei o sentido das linhas, para que o fundo não pudesse influir muito na forma. Mas não é o caso. O desenho é sempre o que é, nunca o que seria. No caso, o que me parece importante é que a forma se faz sustentar pelo reflexo, e gosto disso, porque assim se praticam os impossíveis. De resto, meus azuis plenos entre roxos e lilases, ligeiramente rosados, discretamente dourados. Concluído o desenho, tornado luz agora, penso que se o tivesses visto talvez não te agradasse. Nunca soube bem o que preferias e, no fundo, imagino que, não apreciando poesia, talvez não tivesses também gosto pelos florais. Não sei. Nunca soube e, agora, nunca saberei.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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