Pinceladas a esmo, brinquedo, cores puras, cores misturadas, pigmento, água, luzes. Abstração. Mas me ocorre súbito a canção daquela rua que, se fosse minha, eu mandava cravejar com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante para o meu, para o meu amor passar. Depois me dou conta de que não há rua, nem brilhantes nem mais amor pra passar. Que é apenas uma aquarela. Nada mais.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

Comentários
Postar um comentário