Pinceladas a esmo, brinquedo, cores puras, cores misturadas, pigmento, água, luzes. Abstração. Mas me ocorre súbito a canção daquela rua que, se fosse minha, eu mandava cravejar com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante para o meu, para o meu amor passar. Depois me dou conta de que não há rua, nem brilhantes nem mais amor pra passar. Que é apenas uma aquarela. Nada mais.
Eu não levaria tão a sério. Mas, em parte, merece aparecer por aqui esse acidente fotográfico que fideliza uma realidade indiscutível e, mesmo assim, absurda. Portanto, eis um fantasma plasmado. Um fantasma clássico, do tempo dos lençóis esvoaçantes, dos ambientes sinistros, das luzes incertas. Ele parece andar por corredores embaralhados. Flutuante. Leve. Assombroso. Assombrado. Assombração.

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