Noites, madrugadas, palavras que soam como ruídos e ruídos que soam como palavras. Como assim? As teclas agora mesmo que, tocadas, se reorientam nas letras, depois nas palavras, na barra de espaço. Instantes que se seguem, infinitos encadeados que reclamam um sentido. São fluxo, água, vida: fluidez confusa que reclama conceitos com receio de cair na pura abstração. Linhas que se transformam em maçãs, seguramente vermelhas, como garantia de que não se confundam com todo o resto. Um pouco como eu só que sem mim.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

Comentários
Postar um comentário