Pinceladas inseguras. É o que acontece quando não se tem a aquarela, e a tinta acrílica diluída faz as vezes do material faltante. Mas, se dá vontade, a gente parte no impulso. Acha o papel, os pinceis que estão mais à mão, a tinta, qualquer uma que dilua na água. É a vontade de riscar, de pintar, de colorir, de trazer à existência qualquer coisa que não existia antes e que agora, sim, toma conta de seu canto no mundo, mesmo que seja apenas uma cantinho virtual, que fica em lugar nenhum, sem concretude nem relevância. Por nada. Por hoje.
Não duvide. Andam juntas. Daí os aduladores nem precisarem de muita competência para convencerem os adulados acerca dos esplendores e grandezas de suas qualidades. Mas como representar algo tão feio que se pensa belo? Não sei... mas a vaidade deve florescer na cabeça, a boca aberta pronta a soltar tantas palavras, o olhar seco. A forma pode ser inconcludente, é verdade, mas a figura mostra o seu chifre único e linear. Ele serve para que a gente não se esqueça de que a lisonja tem sempre objetivos muito precisos. Agora, acerca de crer ou não crer, vai da vaidade de cada um. Enfim, a bíblica vaidade das vaidades que o Eclesiastes já consagrou.

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