A saber por que será que as flores se desenham sozinhas. Chamam a si, por escolha própria, as cores e os matizes, expandem-se ao fundo, sugerem o arranjo. Só que suas escolhas não são sempre felizes. Às vezes, — e isso talvez por uma questão de gênero, hoje tão em moda —, às vezes elas exageram nos ingredientes: muita cor, combinações bizarras, composições que pecam pelo desequilíbrio. — Esse azul aí tão demais, um roxo fora de hora... eu poria rosa... — Como mulheres, enfim, quando se excedem no rouge. Penso. Mas não encontro explicação. Só o fato: flores se desenham sozinhas. Espontaneamente.
Eu não levaria tão a sério. Mas, em parte, merece aparecer por aqui esse acidente fotográfico que fideliza uma realidade indiscutível e, mesmo assim, absurda. Portanto, eis um fantasma plasmado. Um fantasma clássico, do tempo dos lençóis esvoaçantes, dos ambientes sinistros, das luzes incertas. Ele parece andar por corredores embaralhados. Flutuante. Leve. Assombroso. Assombrado. Assombração.

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